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Metodologia

Indicadores de Saúde Mental nas Empresas: Guia de Métricas

Absenteísmo e turnover contam a história depois que o problema já existe — eNPS e COPSOQ são os indicadores antecedentes que permitem agir antes disso

Julia Kalil
Cofundadora Sollar People Hub · Ex-Gerente de RH (Ambev)
1 de agosto de 20264 min de leitura
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Indicador isolado raramente conta a história toda. Absenteísmo sobe por dezenas de razões, turnover alto pode até ser saudável em alguns contextos — o valor real desses números aparece quando são cruzados entre si e acompanhados ao longo do tempo, não quando são olhados um de cada vez.

Indicadores Quantitativos

Absenteísmo

Calculado como (horas ou dias perdidos ÷ horas ou dias totais disponíveis) × 100. O número em si importa menos do que a tendência: um absenteísmo estável em 3% preocupa menos do que um que saltou de 2% para 4% em dois meses, mesmo que o valor absoluto ainda pareça baixo.

Turnover

A taxa de rotatividade considerada saudável fica geralmente entre 5% e 10% ao ano — abaixo disso pode indicar estagnação, acima disso costuma sinalizar problema. O contexto brasileiro é um agravante: levantamentos baseados em dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apontam o Brasil como um dos países com maior índice de turnover do mundo, o que torna o benchmark internacional pouco útil sem ajuste ao contexto local.

Afastamentos por CID F (Transtornos Mentais)

O número de afastamentos pelo INSS relacionados a transtornos mentais e comportamentais é um dos indicadores mais diretos de saúde mental organizacional — e também um dos mais tardios: quando aparece, o problema já se tornou grave o suficiente para gerar um afastamento formal.

Sinistralidade do Plano de Saúde

Uso de serviços de saúde mental (consultas psiquiátricas, psicoterapia) dentro do plano de saúde corporativo. É um indicador antecedente valioso, porque geralmente sinaliza problema antes que ele chegue ao ponto de gerar um afastamento pelo INSS.

Indicadores Qualitativos

eNPS (Employee Net Promoter Score)

Mede a probabilidade de um colaborador recomendar a empresa como lugar para trabalhar, numa escala de 0 a 10. As respostas se dividem em promotores (9-10), neutros (7-8, excluídos do cálculo) e detratores (0-6). A fórmula é simples: eNPS = % de promotores − % de detratores, resultando numa pontuação entre -100 e +100 — qualquer valor acima de zero já indica mais promotores do que detratores.

Índice de Engajamento

Medido através de pesquisas estruturadas, mede o vínculo emocional e motivacional dos colaboradores com o trabalho — distinto de clima organizacional, que mede a percepção sobre condições e práticas do ambiente.

Scores COPSOQ

Avaliação sistemática de riscos psicossociais nas sete dimensões do instrumento (exigências laborais, organização do trabalho, relações e liderança, interface trabalho-família, valores, comportamentos ofensivos, saúde e bem-estar) — o indicador mais direto para o inventário de riscos exigido pela NR-1.

Como Cruzar os Indicadores

O valor real está no cruzamento: um COPSOQ ruim numa equipe específica, combinado com absenteísmo crescente e eNPS em queda naquele mesmo grupo, é um sinal muito mais confiável de risco do que qualquer um desses indicadores isolado. Indicadores quantitativos (absenteísmo, turnover, afastamentos) tendem a ser tardios — aparecem depois que o problema já existe. Indicadores qualitativos (eNPS, engajamento, COPSOQ) tendem a ser antecedentes — sinalizam risco antes que ele vire número duro.

Como a Sollar People Hub Ajuda

A Sollar People Hub gera dashboards que cruzam automaticamente indicadores quantitativos e qualitativos, segmentados por equipe, permitindo identificar onde o risco está se formando antes que ele apareça nos números tardios de afastamento e turnover.


Perguntas Frequentes

Qual desses indicadores é o mais importante? Nenhum isoladamente — o valor está no cruzamento. Indicadores antecedentes (eNPS, COPSOQ) permitem agir antes que indicadores tardios (afastamento, turnover) confirmem que o problema já existe.

Um turnover baixo é sempre um bom sinal? Não necessariamente. Turnover muito abaixo de 5% ao ano pode indicar estagnação ou falta de mobilidade interna, não necessariamente um ambiente saudável.

Com que frequência esses indicadores devem ser acompanhados? Indicadores quantitativos (absenteísmo, turnover) costumam ser acompanhados mensalmente; indicadores qualitativos (eNPS, COPSOQ) geralmente em ciclos mais espaçados, trimestrais ou semestrais, para não gerar fadiga de pesquisa.

Esses indicadores substituem a avaliação de riscos psicossociais da NR-1? Não substituem — o score COPSOQ é um dos insumos do inventário de riscos, mas o inventário completo exige também classificação por probabilidade/severidade e um plano de ação vinculado.

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